24 de janeiro de 2026

101 poemas portugueses - #75

 

ARDE UM FULGOR EXTINTO

Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.

Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.

Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:

são palavras e não sangram
.

Rui Knopfli (Inhambane, 1932 - Lisboa, 1997)
Mangas Verdes com Sal (1969)

19 de janeiro de 2026

Um poema de Carlos Poças Falcão

 
"É na fragilidade do teu nome que resguardas
palavras para um tempo de secura e de esquecimento.
A liberdade ampara-as e o desejo pronuncia-as
até que sejam corpo de teu corpo e irradies.

Não é de muita água que precisa o dia fértil
numa concha da palavra é ouvido o mundo todo
- e a vida vai fendendo as durezas mais rugosas
não como veios de água ou aflorações do sangue
mas com uns versos frágeis e volantes, quase ditos.

Do poema é a voz pobre. Respirando a céu aberto
ele vem da escuridão, já perdido de si mesmo.
Até que ouça luz de alguma luz - e fique escrito."


Carlos Poças Falcão em "Sombra Silêncio"
Opera Omnia
Outubro de 2018

16 de janeiro de 2026

o início de O BANQUEIRO ANARQUISTA

«Tínhamos acabado de jantar.» Fernando Pessoa, O Banqueiro Anarquista [1922], Lisboa, Guerra & Paz, 1921, p. 21.  

10 de janeiro de 2026

101 poemas portugueses - #73

 

Ferido de inocência desde sempre

Boston

Novembro 90


Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 1928 - Londres, 2007),

Átrio (1997)