15 de novembro de 2014

de Alberto da Costa e Silva

«Poeta quis ser, e, agora consolam-me, dizendo-me que fui poeta e -- quem sabe? -- sou.»

Excerto de «O deslumbramento do mundo», discurso de aceitação do Prémio Camões 2014, em 29 de Outubro passado, na Fundação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

De salientar outro excerto, formidável, de outro orador na cerimónia, Jorge Barreto Xavier, Secretário de Estado da Cultura, que aí se deslocou propositadamente, como era seu dever -- ao contrário do que sucedeu (talvez escandalosamente) com a ministra brasileira da Cultura, que justificou a ausência com "motivos de ordem pessoal". E disse Barreto Xavier: "Saúdo acima de tudo o homem que reúne de forma tão gloriosa todos eles [o poeta, o historiador, o ensaísta...], atribuindo a cada parte dons de palavra e de um imenso trabalho abençoado por uma escrita pessoal e ao mesmo tempo hoje património comum da língua portuguesa, uma escrita que que não se sabe bem se é literatura ou história, poesia ou prosa, ensaio ou novela, uma escrita que na reunião do conjunto da obra corresponde a um monumento construído ao rio Atlântico e às suas margens, do Brasil a África, de Portugal ao Brasil." 

in JL- Jornal de Letras, Artes e Ideias # 1151, Lisboa, 12 de Novembro de 2014
(lido na sessão de 12 de Novembro)

3 comentários:

  1. Belas e nobres palavras de um homem que fez da humildade a sua bandeira artística. Um poeta que não se impôs e acabou por ser "imposto" pela excelência da sua criação.
    "Quem se humilha será exaltado!"

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  2. Respostas
    1. Vá ao Xailedeseda, Til. Fiz pelo menos três posts sobre Alberto da Costa e Silva aquando da atribuição do Prémio Camões 2014.

      :)

      Olinda

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