5 de janeiro de 2015

APOLO E DAFNE




Dafne foi perseguida por Apolo, aquela ninfa só pode escapar ao deus convertendo-se em louro, planta a que alude o seu nome. Esta metamorfose segundo algumas versões foi obra de seu pai o deus-rio Peneo, e, segundo outras, de Zeus. Desde então o louro foi a planta consagrada a Apolo , deus da música e das artes.
Na literatura o tema dos amores de Apolo e Dafne foi amplamente tratado na poesia do século de ouro por Gracilaso de la Vega , (1526-36); Arguijo   dedica-lhe um soneto (1605); e Quevedo escreve sonetos desmitificadores sobre o tema em 1605: Fábula de Dafne Y Apolo; no teatro Lope de Vega escreve El amor enamorado, publicado postumamente em 1635; em pintura são muitas as representações deste episódio tratado entre outros por Tiépolo(Louvre, sec XVIII). E, em escultura, por Bernini (Apolo Y Dafne 1622-25 galeria Borghese, Roma) e, G. Coustou Dafne, 1721, Louvre.  Na música é conhecido O louro de Apolo, uma zarzuela escrita em 1657.
Quanto a Apolo sabe-se que é o deus do fogo solar e da beleza, das artes plásticas e da música e da poesia; é também deus oracular e o deus da purificação. O seu poder é temível. É filho de Zeus e de Leto e irmão gémeo de Artemisa.
O mais formoso dos deuses teve numerosas aventuras amorosas nem  sempre afortunadas. Várias ninfas despertaram a sua paixão mas nem sempre o receberam de braços abertos. Cirene que  teve dele Aristeo; Clitia, e Dafne foram outras paixões. Teve amores com as musas como Talía ou Urania de cuja união nasceu Orfeo. Entre as amantes teve algumas mortais como Castalia jovem de Delfos que foi transformada em fonte; ou Casandra . Apolo amou também o jovem Jacinto e converteu-o em flor quando um acidente o privou da vida.

São múltiplas as funções de Apolo. Deus da harmonia, a ele se atribui a invenção da música e da poesia. Frequentemente dirige as danças das musas no monte Parnaso. É também o deus que purifica.  Conhece a arte de sarar as feridas livrando-as de todas as impurezas. É o luminoso (phoibos). É deus guerreiro que se põe do lado dos troianos durante o conflito contra os áqueos. Os seus animais preferidos são os lobos, cisnes e delfins e a sua planta o loureiro tributo da esquiva Dafne.

Os romanos adoptaram rapidamente este deus prestigioso do qual retiveram sobretudo o seu poder curativo e os seus atributos solares. Frequentemente aparece designado com o nome de Febo. O imperador Augusto (63-  14 ) converteu-o em seu deus tutelar e fez correr o rumor de que Apolo era seu pai.

Apolo aparece muitas vezes na Ilíada, Na República e nas Leis, de Platão; Na idade média em Gil Vicente, e, no séc XVIII  em Holderlin (1797-99) aí o deus  confunde-se com as figuras de Júpiter,  Dionísio, e, de Cristo.
 Para Holderlin o poeta está investido de uma missão divina e expressa, pela sua revolta, a evocação da sua origem solar. Assim mesmo em Keats Apolo encarna o acesso ao saber e à procura de uma nova poesia. Em Nietzsche particularmente em O Nascimento da tragédia (1872) Apolo aparece como representante do mundo do sonho, da ordem e do equilíbrio opondo-se neste sentido a Dionisio, simbolo do arrebatamento das forças criadoras. Desta definição procede o termo apolinismo.

( tradução livre que efectuei para a língua portuguesa a partir  da Mitología griega Y romana, de Rene Martin). LG. 

                                                                      

 

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