(Retrato de uma Aldeia Transmontana), de John Gibbons, é livro que adquiri há quase ano e meio, na sequência de uma série de artigos sob o tema de como os estrangeiros têm visto Portugal ao longo dos tempos, e que só agora tive oportunidade de ler; e que pena ter sido apenas agora.
O autor, por encomenda específica de editor, compromete-se a escrever sobre Portugal.
Com pouco dinheiro no bolso, levanta-se a questão para onde ir e alojar-se. Português conhecido, em Inglaterra, diz-lhe que tem uma casita de família na aldeia de Coleja. Não fazendo ideia onde aquilo fica, aceita, e vê-se chegar, após peripécias esperadas ou imprevistas, a um lugarejo, no concelho de Carrazeda de Ansiães, onde ninguém fala inglês; tudo seria simples... se ele falasse português... mas não.
Estamos em 1939. Salazar governa. Como vai um homem destes, nestas circunstâncias, descrever a aldeia e seus moradores?, como é a experiência de ir à feira a Carrazeda, aproveitando para regularizar papelada?, ir à missa, porque é católico, a três horas de caminhada?, ir conhecer a mítica (na visão dele) Miranda do Douro?, que nos diz sobre o Porto?, e como vê o país regido pelo Dr. Salazar?
Deliciei-me com a leitura e parece-me que com razão, quando, no final do livro, dei com apontamentos do Abade de Baçal, sobre a obra e seu autor; uma entrevista no Diário de Notícias, em março de 1940... e quando verifico que lhe foi atribuído o Prémio Camões.
Curiosos?
Sei até de quem interrompeu a leitura a meio, para recomeçar de início, tomando notas para uma viagem cultural.
Estamos sempre a tempo de descobrir e aprender.
Interessantíssimo, parece. Quem edita e quando edita? Prémio Camões? Explique lá isso. Só se fosse um pseudónimo do Torga...
ResponderEliminarA edição, de 2004, é da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães que contactei oportunamente, perguntando se tinham exemplares disponíveis; responderam, esclareci-me sobre as condições (cujos pormenores não recordo já), e enviaram-me por correio.
EliminarTanto quanto é possível ver na Internet, os exemplares que aparecem à venda, aparentam ser em segunda mão.
O autor, inglês, tem muitos livros publicados, mas não traduzidos.
O Dr. António Ferro pode estar ligado à atribuição do Prémio Camões.
Este blogue é que, infelizmente, vai criando musgo, a meus olhos, porque, sendo o homem, segundo não sei que filósofo, um animal de hábitos, desabituei-me de o visitar... Mas hoje, por necessidade de saber qual o livro do próximo mês no nosso clube de leitura, vim cá...
ResponderEliminarE acontece que esta publicação do nosso amigo José Serra me criou bastante curiosidade acerca do livro, a qual (estou certo) ele não deixará de satisfazer, em oportuno ensejo... Até para eu poder comparar o atraso de Trás-Os-Montes com o da minha terra, na época retratada.
Quanto ao Prémio Camões atribuído a tão ignoto autor por tão ignota obra, para mais escrita em estrangeiro, independentemente da qualidade literária, que até pode ser boa, não terá passado de um capricho do engraxado Salazar.
Da leitura não deduzi «graxa»; aliás o autor, nas circunstâncias em que escreveu, limitou-se a fazer uma análise social descomprometida.
ResponderEliminarProvavelmente, à época, e nas mesmas condições, teríamos feito uma apreciação semelhante.