4 de dezembro de 2011

Elogio dos clubes de leitura

     As comunidades de leitores têm muitas vantagens para os ditos. Trocas de pontos de vista, de percursos de leitura, de experiências de vida. E obrigam-nos a conhecer livros e/ou autores que improvavelmente leríamos, não por qualquer embirração de partida (ou também por isso...), mas porque um leitor tem sempre as suas prioridades e as suas listas, que normalmente (falo por mim) não são cumpridas.
     Por várias vezes sucedeu-me, aqui no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro, defrontar-me com autores desconhecidos e que foram, para mim, uma extraordinária revelação, como foi o caso de Javier Cercas -- de que nunca ouvira falar -- e o magnífico A Velocidade da Luz; ou o extraordinário ensaio de Amin Maalouf, Um Mundo sem Regras (aqui, não era o autor o desconhecido, mas o livro) ou A Religiosa, de Diderot, cuja leitura somente se me ofereceria no âmbito de uma pesquisa improvável sobre as adjacências do século XVIII ou questões colaterais.
     De valter hugo mãe só lera poesia, três livros, um dos quais, A Cobrição das Filhas, me deixara uma boa impressão. Já tivera dois outros romances dele debaixo de olho, mas a oportunidade nunca se concretizara. Por outro lado, tenho o defeito ou a qualidade de não ler escritores que estejam na crista da onda, como é o caso. Teria várias razões para dar, mas agora não é o momento. O que me importa registar é que se o vhm surfa a onda, fá-lo com muito mérito. A Máquina de Fazer Espanhóis é um grande livro de um não menor escritor, que tem o que dizer e di-lo com substância, e sabe como o fazer, fazendo-o com mestria.

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