-- Olha o «Piloto»! O meu «Piloto!»
A Lã e a Neve [1947], 15.ª edição, Lisboa, Guimarães Editores, 1990, pp. 17-18.
Logo depois da primeira chuva grossa, o "Zêzere Menino" que ali nasce, entre os Rochedos que ladeiam A Rua dos Mercadores, deu em engrossar a voz, proferindo ameaças (haviam de vê-lo, como já vi, como um mar largo, inundando todo o Covão, sem garganta suficiente para jorrar toda a água no Vale.)

(As janelas do casarão lá continuam a espreitar, à direita).
O senhor PADRE BARRADAS, vigário de Santa Maria, a quem Horácio foi pedir empenhamento na obtenção de trabalho numa das fábricas de Manteigas.
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De todas as vidas se pode escrever um livro, é verdade, mais que não seja para narrar ao pormenor a sua infindável rotina quotidiana. Mas nem de todas se pode fazer uma nota marcante, breve e verdadeira. Quem tiver dúvidas que retire dos escaparates meia dúzia de calhamaços, com mais de quatrocentas páginas, e pratique esse exercício na parte de dentro de uma carteira de fósforos, relendo depois o que lá conseguiu meter. Se encontrou matéria suficiente para precisar da tal folha de papel de máquina, essa vida já valeu a pena.
Hoje apetece-me dar estrelas aos contos do Régio (a bloga ou é lúdica ou não é bloga!); e como gosto de pensar que sou um gourmet destas coisas (como diria o Jaime Brasil), aqui vai o atrevimento dum mero leitor.