30 de setembro de 2011

o escritor e a oficina

«[...] além da tarefa de fazer o resumo das diversas escolas filosóficas e de tratar dos sinónimos, tinha escolhido para si todas as descrições das artes e ofícios. Como queria dar à obra um carácter eminentemente prático e expor a matéria com conhecimento de causa, ia às oficinas ver como se praticavam os diversos mesteres, como funcionavam as máquinas, como se chamavam e para que serviam os diversos utensílios. Não se contentava com ver e ouvir, pedia que lhe ensinassem o funcionamento, e ele próprio, graças a uma inteligência prodigiosa, executava, ante a surpresa dos artífices, os diversos trabalhos que depois descrevia. Assim aprendeu a tecer, a trabalhar no vidro, a imprimir, a burilar metais, etc., com tanta perfeição como os mais experimentados operários. Não esqueceu os mestres que lhe ensinaram essas artes, pois os nomes daqueles que lhe deram informações úteis nesse campo figuram na Enciclopédia -- coisa até então nunca vista -- ao lado dos de filósofos, artistas, homens de ciência.»

Jaime Brasil, Diderot e a Sua Época, Lisboa, Editorial Inquérito, 1940, pp. 72-73.

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