21 de setembro de 2011

outro poema da Marquesa de Alorna

Como está sereno o Céu,
como sobe mansamente
a lua resplandecente,
e esclarece este jardim!

Os ventos adormeceram;
das frescas águas do rio
interrompe o murmúrio
de longe o som de um clarim.

Acordam minhas ideias,
que abrangem a Natureza,
e esta nocturna beleza
vem meu estro incendiar.

Mas se à lira lanço a mão,
apagadas esperanças
me apontam cruéis lembranças,
e choro em vez de cantar.

Poetas do Século XVIII, selecção, prefácio e notas de M. Rodrigues Lapa, 3.ª edição, Lisboa, Seara Nova, 1967.

(lido numa sessão de 2011)

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